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Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Mateus 6:26

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TRAIRÃO

Estávamos no 11º dia de viagem e nossa farinha de mandioca havia acabado, a partir dali tínhamos o sal e continuamos com a fé como parceira.

Após subirmos e descermos as serras do Ananaí e da Preciosa, serras que chegamos a gastar até 50 minutos para atingir o topo e ao descê-las o cuidado era redobrado, muitas e enormes pedras estavam em nosso caminho, ao atravessarmos o Igarapé Preto, nomes que ao longo da viagem fui colocando em cada lugar por onde passávamos.

Um dos companheiros que vinha logo atrás, sem intenção nenhuma deu um chute numa palha de Tucum, elas são cheias de espinhos o qual atingiu a panturrilha da minha da perna e seis espinhos de uns 7 cm cada, penetraram, confesso que me arrepiei de dor. Logo adiante sentei num tronco e consegui tirar cinco deles, mas um desapareceu carne adentro, ainda com o facão cortei o local no intuito de tirá-lo, mas infelizmente ele foi mais rápido e adentrou a minha carne. Até hoje me acompanha.

Dali em diante a dor também começou a fazer parte da caminhada, cada passo, cada subida de serra aquilo fisgava dentro da carne, no outro dia a perna amanheceu bastante inchada e avermelhada e depois de umas 5 horas de caminhada chegamos no Igarapé Esperança, Já passava das 11 horas da manhã, ali atei minha rede e coloquei a perna no alto, enquanto um caldeirão com água e saol esquentava para eu fazer umas compressas.

Como só tínhamos o sal e a fé, sugeri que os dois companheiros arrancassem minhoca e pegassem umas patacas para serem usadas de isca e fossem até o igarapé para pegar um trairão para nos alimentarmos, era o segundo dia que estávamos sem comer e assim fizeram, após pegarem umas 3 patacas, voltaram e também deitaram um pouco para descansarem.

A partir das 14 horas, sol mais ameno; levantaram e foram até o igarapé com a missão de buscar o jantar e ali ficaram por horas e nada de peixe. A partir das 17 horas, após eu ter feito umas compressas, mal conseguia colocar o pé no chão, fiz um potó e devagarzinho consegui chegar na beira do igarapé onde os dois companheiros já cansados e impacientes insistiam em pegar o jantar.

Ao me aproximar o recém convertido foi logo dizendo, aqui não tem peixe e não entendo porque colocaram o nome de Esperança sendo que de esperança não tem nada. Faz três horas que estamos aqui, dando sangue pra mosquito e nada, logo pensei, ele deve estar assim porque ainda não está sabendo usar a fé, é novo convertido viu Deus agindo ao longo da viagem, mas ainda não aprendeu como fazer uso da fé.

Me sentei na barranca do igarapé e fiquei ouvindo os dois conversarem entre si. Já beliscou alguma coisa aí? O outro respondia nada acho que aqui não existe peixe, só piaba mesmo, o outro retrucava, aqui também não, será que o missionário está delirando com a febre? 

Sentado e observando disse: Oh! Jesus como o teu nome é precioso. O recém convertido gritou: missionário fiquei todo arrupiado com estas palavras, que bom disse eu, este nome é pra arrepiar mesmo e até o inferno estremece. E prossegui, Jesus nos dê um trai.... missionário, gritou o recém convertido fisguei um, nem precisas terminar de pedir, Jesus já respondeu. Missionário, acrescentou ele, jamais trocarei este nome por uma saca de dinheiro, esta palavra é muito poderosa. Trairão tinha mais de 5 kg.

Que gostoso, que maravilhoso depender deste Deus. Desde que comecei a minha vida na Obra de Deus, todos os dias tem sido assim, experiências de ver o cuidado de Deus quando dependemos exclusivamente Dele para suprir cada necessidade. E louvo a Deus que tem usado irmãos preciosos para suprir a nossa necessidade e nos sustentar nesta Obra.

Que este pequeno testemunho fortaleça a tua fé.