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Atentai! Eu vos tenho dado autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, assim como sobre todo o poder do inimigo, e nada nem ninguém vos fará qualquer mal. Lucas 10.19

2008-2021 @ By Luiz Carlos Ferreira

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Surucucu no caminho

 

Enquanto os discípulos ficaram construindo a casa na Base, decidimos eu e mais dois companheiros seguir nossa viagem cujo destino era chegar no Barraco do Mateiro, alguns dias de viagem e lá deixar algumas coisas.

Era um novo caminho que estávamos percorrendo, seguimos da nossa base de carro até o Barraco da pimenta onde pernoitamos, cerca de uns 20 km. De lá seguimos a pé e com a ajuda de um GPS localizamos o Barraco do Caldo e ali pernoitamos, dali em diante seguimos a velha picada que tinha feito em viagens anteriores.

Passamos pelo Barraco da Fartura, e no Barraco da Mosca pernoitamos. No próximo dia andamos numa região escassa de água, a partir das 15 hs paramos de cortar mato reabrindo assim o caminho e seguimos carregando o mato no peito na ânsia de encontrar água antes do anoitecer, não podíamos mais perder tempo reabrindo o caminho.

Finalmente chegamos no Barraco do Espinho nome que dei na primeira viagem que fiz, pois há muitos espinhos que cercam uma lagoa perdida no meio da mata, ali em viagens anteriores já encontramos água, mas qual foi a decepção ao constatar que a lagoa estava seca. Montamos nosso acampamento cada qual armou sua rede num canto e fui até o meio da lagoa com um dos companheiros para tentar cavar uma cacimba (Buraco pra ajuntar água).

No centro da lagoa seca havia capim verde sinal de umidade e ali começamos a cavar com as mãos, tirando camadas e camadas de folhas podres que com os séculos foi se acumulando, começou a minar uma água cinza e fedida, naquele buraco de uns 30 cm de diâmetro, mas era água. Deixamos ajuntar um tanto para ver se o sabor melhoraria.

Bem ao entardecer voltamos lá e mesmo catinguenta demos uns goles, e aproveitei e joguei no corpo pra tirar o suor que ardia no meu corpo, melhor dormir fedido da água do que suando e cheirando a Guariba. Um dos colegas até usou um filtro na tentativa de melhorar a qualidade da água.

De manhã próximo ao acampamento encontramos algumas raízes que nos forneceram água suficiente para matar a sede. Mas resolvi dar uma espiada na cacimba ver a situação e ao retornar senti alguma coisa bater na minha perna mas nem me importei achei que fosse uma palha de espinhos. Passados alguns minutos comecei a sentir formigamento na perna e uma leve tontura. Sentei na rede e um dos companheiros olhou para a minha perna e disse: “Uma cobra te picou”. E nela havia dois furos distantes um do outro e sangue começou a escorrer.

Um dos companheiros pegou imediatamente a seringa invertida e sugou o veneno daquela cobra, pela distancia das presas era uma surucucu. Fiquei ali na rede esperando passar a tontura e o formigamento. Os dois companheiros perguntaram se eu ia ficar bem, disse que sim e pedi que eles continuassem adiante para ver se encontrariam água, ou no Barraco do Porcão ou no Barraco do Jacaré em ambos há igarapé e um deles é maior, chance de ter água. Eles seguiram viagem e eu fiquei ali na rede. As marcas desta picada continuam na perna sempre me trazendo à memória o cuidado do Senhor.

Passados uns 40 minutos peguei meu facão e voltei reabrindo o caminho que no dia anterior havíamos deixado para trás, creio que andei uma hora e meia até encontrar o local onde havíamos parado de cortar e comecei a retornar ao acampamento. E escuto gritos: “Irmão? Seu Luiz? Pastor Luiz? Meu pai? Cadê você? Eu escutando aquela preocupação deles dois e fui me aproximando e ouvido e meu discípulo amado que me chama de pai, dizia:” Ele sempre me disse em nossas viagens pela mata, que se porventura acontecer algo não é pra levar o corpo dele e nem enterrar é pra deixar pros jacamins e jabutis comerem” Creio que ele começou a passar muito mal e saiu para morrer longe de nós para não nos dar trabalho” Eu conheço meu pai, com certeza ele fez isto.

Finalmente cheguei ao barraco e as notícias que me passaram foram de que adiante estava mais seco ainda. Ali deixamos nossos objetos e seguimos nossa viagem de volta para a Base que por sinal a casa já estava com a estrutura montada.

Mais uma de nossas experiências na floresta amazônica e gratidão aos companheiros que tem arriscado suas vidas para acompanhar-me nestes projetos de buscar aqueles que ainda não têm notícia de Jesus. Talvez você ache ser uma loucura fazer o que faço, viver perigosamente em cada viagem, fazendo sim a vontade de Deus que tem estado comigo em cada passo que dou nestas loucuras da vida. Louvo a Deus por cuidar de mim e por me proteger de tantos perigos.

Mas aqui deixo um desafio. Eu estou indo em lugares onde fisicamente você não tem ido e nenhum outro está indo, riscos, perigos, cansaço, privações são parceiros de viagem, mas você que está aí no conforto da sua casa, da sua cidade, da sua igreja. Você não precisa botar um jamaxim nas costas, um facão na cintura, uma bússola no bolso e viajar por lugares remotos e cruéis.

Basta olhar pros lados e verás que há inúmeras pessoas precisando escapar do inferno, o que você tem feito por elas? Aí pertinho de você? Não, não digo encher whatsapp de mensagens prontas todos os dias, pros seus amigos, isto é nada. Vamos fale de Jesus, diga que o único meio de alguém chegar ao céu é através de Jesus, diga a eles por favor.

Louvem ao Senhor pelos companheiros que caminharam ao meu lado em cada viagem. Louvem ao Senhor pelas pessoas que tem colocado a mão no bolso para manter este ministério e assim abençoar as nossas vidas. Louvem ao Senhor pelos que intercedem por nós.

Que o Senhor nos ajude a ter sabedoria, ousadia, intrepidez e saúde para continuarmos a ir onde Jesus ainda não chegou.