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Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar". Josué 1:9

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MURALHA DOURADA

 

Após o Barraco do Perdido reabrimos o caminho e paramos para acampar no lugar denominado Barraco do Caldo. (Em breve relatarei porque dei este nome)

O propósito desta viagem era seguir orientações do Instituto de Terras do Pará que comunicou que seria inviável ir tão longe para vistoriar apenas a área que tínhamos solicitado com o propósito de instalar lá uma Base missionária. Então nesta viagem iríamos marcar mais dois lotes de 100 hectares cada, para tornar viável a vistoria para a liberação da documentação.

Montamos o acampamento no Barraco do Caldo e ao anoitecer caiu uma chuva torrencial, optei em ir no periodo de chuvas porque já padeci demais em outras épocas, chuva tem a vantagem da água, mas por outro lado lenha fica muito molhada tem que ser perito na selva para acender um fogo e outra desvantagem é que o jantar fica mais difícil de encontrar.

Mas naquela noite não dormimos muito bem, a noite toda dando cotovelada nas leitoas que se formavam naquele plástico, confesso que não via a hora do dia amanhecer. Esse foi apenas mais um dos inúmeros problemas apresentados naquela viagem, não pretendo relatar todos, vamos nos ater naquilo que pode gerar benção e a glorificação de Deus.

Mas a outra visão que a senhora teve a meu respeito, diz: “Na mata há "riachos de luz", indo com grande velocidade e com muita força, onde as plantas estão sendo absolutamente achatadas. Os riachos de luz estão indo todos na mesma direção, e nada fica em pé diante deles.” Algo sobrenatural estava acontecendo nesta viagem, o caminho desapareceu em mais de trinta lugares, muitas árvores caídas ao longo do caminho, dificultando assim o nosso caminhar.

Na manhã seguinte, disse aos dois companheiros hoje vamos ficar aqui, vamos cortar mais umas varas e vamos ajeitar esta cobertura e vamos aproveitar o dia para descansar. Após ajeitarmos a cobertura, dei umas orientações aos dois para ficarem atentos, pois o local é de muitas onças e também de porcos selvagens e eu iria reabrir o caminho até o próximo igarapé onde batizei o local com o nome de Barraco da Fartura e ao entardecer retornaria. Mas um dos companheiros disse que gostaria de ir junto e que não queria ficar ali parado, o outro optou em ficar porque estava com dor de cabeça.

Concordamos e seguimos nossa viagem reabrindo e fazendo desvios onde era necessário porque muitas árvores haviam caído e costumo fazer o seguinte, quando desvio uma árvore caída pela direita, a próxima desvio para a esquerda e assim por diante para que não fujamos muito do rumo. Chegamos num baixão de açaizal, bacabal e palhas de Ubim, foram várias as picadas de caba naquele local que estava todo inundado devido a forte chuva, finalmente chegamos ao Barraco da Fartura onde o igarapé estava transbordando, mas decidimos ir mais adiante.

Andamos mais uns 100 metros a mata era limpa, com pouca vegetação e decidi continuar para ver se chegava ao Barraco da Mosca, mas o caminho desapareceu novamente. Pedi ao companheiro que ficasse no caminho que eu iria adiante localizar vestígios para reabrir o caminho até o ponto onde ele ficou, aquele mesmo companheiro que correu na hora da chuva lá do Barraco do Perdido, ali eu sabia que ele não correria, não acharia o caminho de volta para o Barraco do Caldo, que estava distante algumas horas.

Segui com toda a atenção procurando corte, algum galho quebrado são marcações mínimas que uso, não fiz um caminho muito visível para evitar futuras migrações de castanheiros para aquela região, queria mantê-los mais afastado possível. Mas quando olho a minha frente vejo uma enorme Muralha Dourada, fechei o olho, esfreguei o olho para ver se não era algo no olho, não, não era. Era sim uma muralha dourada. Olhei ao longe o companheiro e o vi todo ensangüentado e estraçalhado, passei a mão no olho novamente para ver se não era algum cisco, e lá estava ele desfigurado.