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“Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.” Mateus 15:28

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Certo dia navegando, subindo o Rio Arapiuns, algumas crianças acenavam, não sabia se era brincadeira de criança ou se estavam dando sinal para irmos até lá. Geralmente a navegação é pelo meio do rio, na época da cheia costuma-se navegar mais pela beiradas. O Rio Arapiuns não é tão pequeno a extensão é de 135 km e chega a ter 8 km de largura em algumas partes, mas por onde passávamos não era tão distante da margem e decidimos ir até lá para verificarmos, eram filhos de um casal muito precioso. Descemos e nos levaram até a casa onde estavam os pais já salvos em Cristo Jesus. (Em breve em outro testemunho falarei deles novamente em outro contexto). Tenho uma estima muito grande por eles e que me recebem muito bem quando chego à casa deles, cafezinho, tapioca, beiju, peixe assado, caju, carne de anta assada e muito mais.

Não moram em comunidade e vivem isolados. Tive a oportunidade de passar o estudo Cronológico Além do Véu no quintal daquela casa, por quinze dias. Interessante que dia após dia chegavam canoas com pessoas para ouvir os estudos. Local alto de extremo silencio, a noite era o tempo que eles tinham disponível. A voz do estudo ia muito longe, quando perguntava quem os tinha convidado a resposta era a seguinte: ontem a noite estava esperando uma paca debaixo de uma fruteira e de lá, no meio da mata escutei o estudo e fiquei interessado em ouvir mais de perto, outro dizia estava zagaiando peixes e ouvi o estudo e hoje estou aqui.

A irmã pediu que os filhos acenassem, porque sabia que eu estava passando naquela canoa. A situação dela era crítica. Estava com um enorme mioma e a oito meses estava sangrando, muito anêmica e debilitada mas que nunca deixou de sorrir ou de cumprir com as muitas obrigações de mãe de oito filhos e nem obrigações de esposa. Casa muito simples, mas impecável. Passava boa parte da manhã dentro d’água no rio lavando as louças, as roupas.

Dizia ela, ir para a cidade para padecer, prefiro ficar aqui, porque eu sei que um dia quando Deus decidir me curar Ele irá me curar e estou sentindo que hoje é este o dia que Ele decidiu me curar, quero que o irmão ore agora por mim, porque foi Deus que lhe enviou aqui. Meus irmãos, meus irmãos, como gostaria de ter uma fé tão grande como a dela.

Dei uma palavra, dizendo que o meu desejo era a cura dela, disse que não existe o "dom de cura", porque se existisse tal dom, os que o receberam estão falhando porque ainda há milhares de hospitais, clinicas, farmácias cheios de doentes. Mas não existe. Temos que orar para que a vontade soberana de Deus seja feita, não temos autoridade para exigir nada de Deus e nem para determinar que Ele faça o que queremos, somos servos e servos apenas obedecem a vontade do seu Senhor.

Compartilhei os ensinamentos de Jesus e como Ele se portava diante dos enfermos. Jesus nunca usou corrente de oração, corrente disto ou daquilo para curar alguém. Ele era objetivo e os que tinham fé eram curados. A irmã crê que Deus pode dar um fim neste seu mioma e lhe trazer saúde, sim eu creio. Poderia dizer para a irmã as mesmas palavras de Jesus lá de Mateus 15.28; irmã como é grande a tua fé, seja feito agora em ti conforme o teu desejo. A bíblia diz que se a irmã crê, então a irmã está curada. Orei agradecendo a Deus pela cura. Tomamos um café, uma água e continuamos a nossa viagem.

Desde então não tive mais notícias daquela irmã e até me esqueci do assunto e se passaram alguns anos. Ministério muito amplo, vários lugares sendo atendidos, naquele período muitas comunidades do lado de cá do Rio Amazonas, do outro lado também, viagens de até 24 horas de barco, e por estrada até 480 km distante de Santarém.

Mas pouco tempo atrás estive novamente naquela região e convidei um irmão, um dos discípulos que mora em uma comunidade no Rio Arapiuns e companheiro que não mede esforços para me fazer companhia. E fomos visitar aquela família. Chegamos na casa, estava toda fechada e deduzimos que eles poderiam estar na roça ou plantando mandioca ou fazendo derrubada para o próximo plantio ou fazendo farinha, porque as canoas estavam no porto. Pegamos uma trilha pelo meio da mata e depois de algumas horas de caminhada ouvimos vozes e lá estava o casal e os filhos trabalhando na farinha, os abraçamos, a esposa já passou um café novo, peguei uma faca e comecei a descascar mandioca, o monte era grande e ao mesmo tempo fomos conversando.

O dia indo embora, na mata a noite chega muito rápido, nos despedimos para apressar os passos e atravessar a mata antes da noite chegar, não tínhamos lanterna e nem um facão caso precisasse se defender de algum inseto, ao sairmos a esposa disse que iria nos acompanhar e levou os três filhos menores, iriam para casa ver como estava pois já fazia alguns dias que estavam longe de casa. Chegamos na bifurcação em que iríamos para a direita onde tínhamos deixado a nossa canoa em outro porto e eles iriam para a esquerda caminho mais rápido para a casa. Ela insistiu que nós fossemos para a casa dela e nós dissemos que ainda tínhamos que viajar de volta, baixando o rio e não tínhamos lanterna e navegar pelo rio em noite escura é complicado.

Quero que você missionário vá lá em casa porque quero fazer um bolo e um café, como gratidão. Fiquei pensando naquele instante gratidão de que? O que fiz que não me recordava e que ela quer dar algo em troca como agradecimento. Não irmã, não precisa, em outra viagem que passar por aqui eu aceitarei o bolo. Ela se aproximou de mim e perguntou se podia me abraçar, algo anormal, não é do feitio daquelas senhoras. Ela começou a derramar lágrimas e me deu um abraço. Você já recebeu um abraço de gratidão? Pois é emocionante. Ela disse estou chorando e lhe abraçando porque da última vez que o senhor esteve aqui eu estava muito doente, lembra-se do mioma e do sangramento? Agora, me lembro. Pois é missionário naquele dia fui totalmente curada e nunca mais tive sangramento. Que gostoso, que emocionante e ali agradecemos novamente a Deus.

A Fé daquela senhora, no meio da Floresta Amazônica comoveu o coração de Deus. E o Mioma não resistiu e disse adeus.

Que este pequeno testemunho edifique a tua vida.