Contador de visitas

Aquele que recorrer aos feiticeiros e aos adivinhos para se prostituir com eles, voltar-me-ei contra esse homem e o eliminarei do meio do meu povo.

Levítico 20:6

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FEITICEIRO PERSEGUIDOR

Quando comecei a viajar para as comunidades ribeirinhas e quilombolas, sempre acreditei que todas estariam abertas para receber o mensageiro de Jesus. Mas não tem sido assim. Sem dúvidas um ministério necessário e onde ha vidas preciosas as quais Jesus já pagou o preço, cabe a você e a mim resgatá-las.

A verdade é que não há barreira linguística, não há barreira cultural e não há órgãos do Governo Federal proibindo nosso acesso. Mas em toda comunidade há um líder, e sempre que chego pela primeira vez numa comunidade, me dirijo ao presidente e peço autorização para andar ali e explico qual é meu objetivo, a grande maioria autoriza, mas alguns não permitem. Mas mesmo tendo permissão existem alguns moradores que não aceitam. Este é o caso que irei relatar a seguir.

 

Com permissão desembarquei em certa comunidade e comecei a fazer visitas, sempre vou de casa em casa, conhecendo os moradores, uma forma de conquistar a confiança. Não tenho o hábito de realizar cultos. Minha preferência é o contato de olho no olho e me dedico ao ensino da Palavra de Deus. Quando surgem os primeiros convertidos, começo a observar homens com potencial para serem os futuros discípulos e lideres e me dedico a ensinar estes homens os preparando para terem gana em ganhar almas. Nesta comunidade ha um feiticeiro, algo bastante comum na região amazônica, e geralmente são verdadeiros perseguidores do mensageiro de Jesus.

Já conseguiu expulsar daquele lugar “intrusos”. Inclusive a mim. Já botou a faca na costela, já pegou uma borduna para rachar a cabeça, já pegou o machado para destroçar o barco e fiquei sabendo de outras tantas histórias e começaram a me alertar, fique esperto, abra o olho, não ande sozinho, cuidado a noite ele é traiçoeiro. Jesus disse para sermos prudentes como a serpente e se precisar correr, eu corro, se precisar fugir, fugirei. Os comunitários são muito arraigados a isso e é comum ouvir, você está doente porque fulano jogou um feitiço em você, e aí adoecem mais ainda. E começa a saga para a "cura" e só o feiticeiro sabe o remédio.

 

Certa feita ele veio até mim prosear, eu vivo do meu feitiço, ganho o meu sustento ajudando as pessoas a serem melhores, alivio as dores delas, dou a elas um fio de esperança e não quero que você atrapalhe meus negócios. Se continuar aqui as pessoas vão virar crentes e aí o bicho vai pegar. Botei a mão no ombro dele e falei que meu propósito era apenas falar do amor de Deus as pessoas o quanto Deus as ama e Ele te ama também, você quer prova? Olha este rio quantos peixes você já pegou pra sustentar sua família, quantas gerações já comeram e comerão deste rio, você nunca colocou um peixe aí e nunca deu comida pra eles e Deus os cria e os sustenta pra você, isto não é uma prova real do amor de Deus? Olhe esta mata, quanta caça você já matou é Deus criando a caça dando a elas comida todos os dias para que você encha a barriga da tua família, isto também é prova de que Deus te ama. Quantas vezes ao pegar um peixe ou abater uma caça, você disse: Obrigado Deus!

Mas meu amigo fique esperto em mim você pode bater, expulsar, dar um tiro e acabar com a minha vida, mas é provável que outros virão. Naquela comunidade não havia nenhum templo evangélico e se houvesse; lá eu não estaria. Admiro meu amigo Paulo quando ele diz; e esta palavra, levo a sério: “Sempre fiz questão de pregar o Evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre um alicerce elaborado por outra pessoa. Romanos 15.20 Sou totalmente contra, que haja em uma comunidade mais do que um templo evangélico. Evangelho não é mercadoria.

 

Após a palavra ao feiticeiro o alertei para que ficasse esperto porque Deus leva as coisas a sério. Quanto a mim ele até podia continuar perseguindo, mas que ele não brincasse com Deus. Certo dia subindo o rio ao passarmos em frente aquela comunidade, havia alguém chamando o barco, alguns usam espelho, quando o sol está bem ativo, outros usam panos brancos, quando o tempo está nublado e lanternas durante a noite. Não é costume alguém chamar o barco quando ele está subindo o rio, geralmente chamam, quando desce o rio a caminho da cidade. Comandante pensou que podia ser alguém doente e encostou, era o feiticeiro e gostaria de falar comigo, como ele ficou sabendo que eu estava a bordo não sei.

 

Desembarquei e fui num lugar mais retirado para saber o que ele queria de mim, quando é assim todos os passageiros ficam curiosos e querem ouvir. Ele acabou me levando para a casa dele e até me serviu um mingau de banana, pedi proteção e comi. Ele me contou que Deus havia se manifestado para ele e quase matou ele e a filha.

Estava cortando uma árvore com a moto serra, na beira do rio, distante da casa, o tempo bastante tranqüilo e não havia vento, rio estava um espelho e quando a árvore começou a cair veio uma ventania tão forte que a árvore mudou de direção e quando ele olha na direção em que a árvore estava caindo, a filha de três anos vinha correndo naquela direção ele correu e se jogou encima dela havia uma poça de lama o rostinho da menina enterrou naquela lama e a salvou e ficaram debaixo da galharada, ele precisou de ajuda para sair dali pois estava prensado, mas um galho atingiu o braço dele que quebrou em vários lugares.

 

Hoje não é mais um perseguidor, mas reconheceu a ação de Deus como um aviso. Ainda não se rendeu a Jesus, mas a semente foi semeada e a promessa que tenho é que um dia nascerá. Planos tenho de reencontrá-lo este ano e levá-lo a Jesus. As perseguições não conseguem barrar a Obra de Deus, apenas deixam o avanço mais lento.

 

Que Deus continue dando forças e saúde para continuarmos a Obra a nós confiada.

 

Que este pequeno testemunho edifique tua vida.