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Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa deles, pois o Senhor, o Meu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará".

Deuteronomio 31. 6

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Quando faltava uma boa distancia para chegarmos ao Barraco da Onça o joelho do jovem travou. Luizão não dá mais pra prosseguir. Sentamos, fiz um potó (bengala) pra ele, até pensamos em fazer uma maca de varas e deitá-lo e sair arrastando mas é complicado, serras, igarapés, árvores e pedras pelo caminho. Pensamos em colocá-lo na rede e com um pau nos dois o levaríamos, mas seria muito peso já que tínhamos as nossas bagagens e bagagem dele para carregarmos e a coluna do outro parceiro estava doendo muito. Peguei a carga dele e pedi que se esforçasse pelo menos até chegar ao Barraco da Onça lá havia água e acamparíamos.

Após algum tempo de caminhada lenta e se apoiando no potó, finalmente chegamos no Barraco da Onça. Falei sobre as três opções que havia e que deveríamos tomar uma decisão. A primeira era de ficarmos ali até ele restabelecer, mas em se tratando de ligamento, problema de joelho, só uma cirurgia resolveria e sei lá quantos dias ficaríamos ali. Mas era a opção mais sensata para não danificar mais o joelho.

A segunda opção eu deixaria os dois ali acampados, dei todas as recomendações possíveis, tipo: ao defecar fiquem de costas pra uma árvore grande, não fiquem a partir das 17 horas na beira do Igarapé, muito cuidado e atenção, já coloquei este nome porque aqui existem dezenas de onças famintas, além de cobras, aranhas. lacrau e escorpiões e se um banco de queixada passar por aqui pendurem as coisas e subam em uma árvore.

Meu propósito era buscar pelo menos um ou dois homens e os encontrando teria que convencê-los a me acompanhar e sabia que o valor que cobrariam não seria pouco, mas seria a ajuda que precisávamos para transportar o companheiro ferido, até onde houvesse um recurso para a solução do problema. Luizão quanto tempo você acha que vai demorar? Cara para eu sair da mata de três a quatro dias se tudo correr bem, depois caminhar mais 60 km e ver se encontro alguém, caso não encontre tenho que ir mais adiante, mais uns 20 km à frente, calculo uma semana no mínimo para retornar, vou o mais rápido possível vou levar minha rede, um pouco de sal, arma e o facão, vou deixar as demais coisas aqui. Vou sair as 4 da madrugada ainda às escuras para ganhar tempo e me preparava para a longa caminhada, confesso que estava muito preocupado com os dois que ficariam e pedia constantemente a Deus que permitisse encontrá-los vivos ao retornar. Se cuidem e fiquem orando para eu encontrar alguém.

Luizão e a terceira opção, perguntou ele? Bom, respondi; a terceira opção é a mais simples e fácil. E qual é? Silencio por uns instantes e prossegui se você quiser nos livrar de todo este transtorno e da canseira que vou enfrentar caminhando sete dias sozinho pela mata, dormindo em qualquer canto e vocês aqui sob tensão, a terceira opção fará com que amanhã saiamos todos juntos para casa basta você crer agora que Deus pode te curar e assim vamos seguir juntos na reta final da viagem. Ele disse: “Eu creio Luizão”. Em seguida nos preparamos para seguir viagem de volta para casa. Hoje ele é um homem abençoador de vidas.

Agradeço muito aos meus dois companheiros que não mediram esforços para me acompanharem nesta jornada, passando frio, noites mal dormidas, sofrendo com insetos, andando sob tensão com bandos de porcos selvagens ao redor, com onças no encalço, cobras venenosas e toda espécie de animais peçonhentos, se alimentando do que a natureza nos fornecia, fazendo calos nas mãos e nos pés, subindo e descendo serras, cansados, suados e que um dia a recompensa será entregue pelo próprio Deus que contempla todos os moradores da terra e todas as suas obras e tudo é registrado nos céus, conforme a Bíblia nos garante.

 

Que este pequeno testemunho enriqueça a tua vida