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Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, ele é tudo o que sempre preciso. Salmos 73:26

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BARRACO DA ONÇA

 

O Instituto de Terras do Estado do Pará entrou em contato pedindo que eu fizesse os limites e colocasse os seis marcos nas extremas da área de terra que eu solicitei compra ao governo com o propósito de estabelecer ali uma Base missionária. E a orientação dos técnicos foi que em cada Marco fosse feita uma abertura e que nas pontas das estacas de cada Marco pintasse de vermelho para melhor visualização do helicóptero que iria até lá fazer a vistoria.

Meu próximo passo foi dobrar os joelhos e clamar por companheiros que estivessem dispostos a arriscar suas vidas em prol de algo que não lhes era devido. E Deus me deu companheiros um que foi tocado pelo Senhor pra ir, apesar de suas limitações físicas não mediu esforços e o outro fiz convite em tom de brincadeira o qual estava vivendo dias tortuosos, mas era jovem e um corpo atlético. Ele de pronto respondeu: Vou sim, Luizão.

Após viagem de quase cinco dias de carro, entramos na mata e após alguns dias de caminhada, ambos perguntavam se eu sabia onde era o local exato para colocar os Marcos? Não tinha nenhuma ideia. Pois na viagem anterior em que fui espiar a terra e escolher, o Senhor no intuito de realizar outro milagre, não permitiu, tivemos que voltar, (em breve relatarei). Mas carregava um GPS daqueles antigos que mal conseguia encontrar um satélite em meio aquela floresta e vivia embaçando o display devido a alta umidade e nele havia colocado as coordenadas geográficas de cada Marco, era uma esperança.

No nono dia paramos para acampar no Igarapé das Seis Grotas nome que dei em viagens anteriores e enquanto os companheiros montavam o acampamento subi a serra para ver se localizava sinal no GPS para que tivesse uma ideia da nossa localização e que direção deveriamos tomar na manhã seguinte. Mas o Meu Deus é bom demais da conta e O vi naquele negócio. Nosso acampamento estava a 60 metros do primeiro Marco, ambos se alegraram, pegamos o facão e o machado e fomos até o local para fazer a abertura e colocar o primeiro Marco ainda naquele final de tarde, ao chegarmos no local exato uma enorme árvore havia caído e a abertura estava pronta sem precisarmos cortar nenhuma árvore sequer. Louvado seja o Meu Deus, Deus cuidando de cada detalhe.

Na manhã seguinte levantamos e seguimos do Marco um rumo ao Marco dois e fazendo a limpeza da divisa, cerca de 1.800 metros de distancia, tínhamos o rumo e com a ajuda de uma bússola mantínhamos a rota, ao chegarmos ao Marco dois ali também havia uma abertura, mais uma vez Deus poupou nosso trabalho para limpar o local e assim mais uns dois Marcos adiante encontramos a mesma bênção.

Nossa empreitada demorou dezoito dias fazendo aquele serviço e completamos a missão, a terra espiada, demarcada, assinada pelo CREA, protocolado no ITERPA, memorial descritivo, e mapa com as devidas coordenadas geográficas, pronta para ser vistoriada, não tinha percorrido seu interior até este dia e ali encontramos seis igarapés com águas abundantes e duas belas cachoeiras que ao contemplá-las vi energia sendo gerada e inclusive escolhi o local onde seria construída a futura Base e encontramos ali alguns vestígios que nos alegrou sobremaneira. Descansamos um dia de todo o trabalho realizado e começamos nossa caminhada de volta. Luizão você sabe bem o caminho de volta? Cara eu não vejo caminho nenhum, como você tem certeza que é por aqui? Deveríamos ter vindo jogando milho para marcar a volta a lá Joãozinho e Maria. Minha resposta foi que o peso do milho para carregar nas costas seria muito e que se fizéssemos não encontraríamos o milho na volta, pois as aves, cutias, pacas, ratos, veados, caititu, queixada teriam comido e aí?


Fique tranquilo chegaremos daqui alguns dias em casa. Realmente a floresta é assustadora e tenebrosa, para quem não a conhece, (veja real da região, mata sem fim). Tenho passado por lugares onde nunca um ser humano andou. Conheci pelo menos cinco homens que nunca voltaram para suas famílias e participei de buscas de perdidos é apavorante. Não há estradas e nem caminhos visíveis, só descobre o caminho quem está acostumado com a mata, pois são alguns pequenos galhos cortados, aqui e acolá.