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Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6 

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AQUISIÇÃO DO SERVO

Durante o período que trabalhamos com a Missão Novas Tribos do Brasil, atuamos por três anos na aldeia Karaja Xambioá - To. Fomos os primeiros missionários a chegar lá, nosso primogênito Filipe Ferreira estava com 8 meses de idade. Fui professor da 1ª a 4ª series e Mobral, enfermeiro e motorista, sem remuneração. Saímos daquele local porque a Missão não conseguiu autorização junto à FUNAI. De lá a Missão nos enviou para a tribo Zo’é no Pará, onde também ficamos por quase três anos e acabamos saindo pelo mesmo motivo acima. De lá fomos enviados por um período de três anos para trabalhar na tribo Waiampi no Amapá, substituindo o casal Lima, mas nem chegamos a morar na aldeia, pois a Missão também não conseguiu a devida autorização junto a FUNAI. E o empurrãozinho que precisávamos, veio após o 1º Encontro de Pastores nos dias 10-12 de setembro de 1995. no Instituto Bíblico Peniel.

A partir deste dia decidimos deixar aquela Missão. Após pedirmos pessoalmente a nossa demissão da Missão Novas Tribos do Brasil, dia 06 de novembro de 1995, e para tal á nosso pedido, nos reunimos com toda a liderança na sede da Missão em Anápolis-GO. Preferimos pedir demissão pessoalmente porque aquela geração passada de lideres que me viram menino, me tornar adolescente, jovem e pai de família, aquela geração tinha um amor verdadeiro por nós e nós por eles.

Depois daqueles dias viajamos para o sul da Bahia na cidade da Vitória da Conquista – BA, onde pregamos e testemunhamos em sete igrejas. Durante os dias que passamos naquela cidade, ficamos hospedados na casa de um pastor o qual começou a colocar no nosso coração a necessidade de termos um carro mais apropriado para retornarmos à Santarém, na época tínhamos o Azulão Fiat-147, (Em breve relatarei sobre este carro) que era bem menor e de pouco espaço para os três filhos e também a mudança para uma viagem de sete dias e nos apresentou um Del Rey 84, carro de garagem, o qual ele tinha visto em um anúncio de jornal.

Achamos o carro lindo, estava muito conservado e pouco rodado, ele perguntou quanto eu tinha de dinheiro, falei que tinha apenas as ofertas que tínhamos recebido daquelas igrejas. Missionário raiz não tem dinheiro sobrando, é tudo na ponta do lápis.e que tínhamos o Azulão o qual poderíamos vender para ajuntar e ver se dava para comprar o Del Rey. Levamos diante de Deus os planos e o desejo do coração daquele pastor.

Decidimos mais uma vez testar a nossa fé, vendemos o Azulão, juntamos tudo que tínhamos recebido naqueles dias e fomos até a casa do proprietário negociar, fomos orando porque o que tínhamos em mãos, era abaixo do valor que ele tinha colocado no anúncio. Chegando na casa, não o encontramos e sentamos na beira da calçada em frente à casa o esperando chegar. Passado algum tempo chegou um senhor o cumprimentamos e perguntamos se ele era o proprietário do carro, ele disse que não, mas em breve serei eu vim para fechar negócio. Irmãos sabe quando a alma arrepia? Pois é minha alma ficou toda arrepiada naquele instante. E perguntou: e vocês o que fazem aqui? Respondi: senhor oramos e o nosso Deus nos enviou até aqui para buscar este carro e vim buscá-lo, só estou aguardando o proprietário chegar. Bom disse ele; se é assim então eu vou embora,

Proprietário chegou, entreguei o dinheiro, ele contou, contou de novo e contou novamente, e molhava o dedo na saliva pra conferir novamente, será que está certo? Parece que está faltando dinheiro. Senhor é tudo que eu tenho, e preciso muito deste carro para ir para a Amazônia com a minha família uns sete dias de viagem. E Deus me mandou aqui para buscar este carro. Então está certo nem vou contar de novo, colocou o dinheiro no bolso, fomos ao cartório para ele assinar o recibo, peguei o carro e feliz da vida ficamos. Mas se aquele carro, soubesse dos caminhos que percorreria, não teria saído daquela cidade. Batizei o nome dele de SERVO e por 17 anos fez jus ao nome (Em breve publicarei um vídeo da história dele). Quando lembro dele, lágrimas rolam.

Na manhã seguinte um irmão da Primeira Igreja pediu que eu fosse até a loja dele e chegando lá, colocaram pneus novos, fez alinhamento, balanceamento e agradeci imensamente e quando saia da loja ele passou o endereço do posto de combustível que também pertencia a ele e lá encheram o tanque do carro de Etanol e ainda nos deu uma oferta de R$40,00 dinheiro suficiente para chegarmos em Jacutinga - MG, pois não tínhamos nenhum dinheiro pois demos tudo o que tínhamos para a aquisição daquele carro. Irmãos muito mais do que pedi ou imaginei. Que Deus maravilhoso e que pessoa sensível à voz de Deus e se deixou ser usado por Deus para suprir a necessidade de um missionário.

No próximo dia acordei bem cedo, tenho o hábito de acordar com o cantar do galo, fui até a cozinha da casa do pastor onde estávamos hospedados, fui com o propósito de fazer um café, gosto de acordar e tomar um cafezinho bem quente dá uma grande energia para encarar o dia. Abri um armário e outro e debaixo da pia e geladeira e não encontrei o café, nem o açúcar, na verdade não havia quase nada naqueles armários. Meu coração ficou radiante de alegria, como pode alguém que estava passando por dificuldades e que tinha mil motivos para não nos receber em sua casa e nem precisaria nos receber porque mal nos conhecíamos, não tínhamos amizade. Que lição aprendi naquela manhã e que exemplo de servos hospitaleiros.