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Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que vamos comer?' ou 'Que vamos beber?' ou 'Que vamos vestir?' Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. Mateus 6:30-33

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NOVE DIAS DE ALFACE

Minha Fofa e eu estávamos no Curso Básico de Lingüística no qual aprendemos a conhecer a linguagem verbal humana e através de símbolos fonéticos escrevermos qualquer língua falado no mundo. Na semana final do Curso é feito uma prova para determinar qual aluno tem aptidão lingüística, ou seja, um talento que lhe capacita a trabalhar em traduções e estudar toda e qualquer manifestação lingüística. O lingüista descobre como a língua funciona, as variações lingüísticas e seus motivos socioculturais, critérios de coleta, da informação, organização, seleção e análise dos dados lingüísticos. E para a Glória de Deus, Ele me deu esta aptidão.  

Após esta aptidão confirmada, é necessário continuar mais seis meses. Para estudar a Lingüística História, Teórica, Aplicada, Geral e a constituição da língua que envolve Fonologia, Morfologia, Sintaxe, Semântica e ainda a Psicolingüística, Sociolingüística e Etnolinguistica e etc.

Mas ao concluirmos a primeira etapa a liderança da Missão Novas Tribos do Brasil, pediu que interrompesse este curso avançado em que fizéssemos em outra época e que precisavam de nós e devíamos ir com urgência para a aldeia Karaja-Xambioá no Tocantins. E nos deram as instruções de como chegar até lá e tchau e benção (Em breve relatarei esta “aventura”) como aprendemos a usar o sim senhor, naquele tempo achávamos que toda liderança era colocada por Deus e tínhamos que nos submeter. Então decidimos ir. Abaixo lerão qual era a nossa situação financeira naquela época.

Anos depois retornamos para cursar o Curso Lingüístico avançado. A interrupção do curso atrapalhou e muito o aprendizado, mas na medida do possível ia revendo as aulas do passado para entrar em sintonia e carrego até hoje aquele caderno de anotações.

Nosso sustento não era muito, pagávamos as taxas água, luz e aluguel, o curso era gratuito e não sobrava muito para comida e outras despesas, nosso primogênito estava com três meses de idade(Foto acima é daquela época). Sempre e até hoje as contas são minha prioridade. Algumas vezes consegui fazer algum trabalho de pedreiro, capina e outros na cidade vizinha e final de semana sábado e domingo cheguei a ir algumas vezes até a cidade de Anápolis-GO trabalhar em construção, para ganhar um trocado extra para ajudar no sustento, mas o curso era puxado e não sobrava muito tempo.

Pedi ao administrador daquela instituição autorização para arrancar a grama em frente de casa e ali fazer uns canteiros para plantar algumas verduras, ele autorizou. Plantei cebolinha, salsa e muita alface. As plantas cresceram e Deus abençoou aquele pedaço de chão.

Mas tivemos um mês em que a oferta de U$20,00 que alguém nos enviava, não chegou, resultado foi que acabou toda a nossa comida, naqueles dias não tínhamos como estocar comida, a compra era básica. No mercadinho comprava três tomates, cinco batatas, duas cebolas, um quiilo de arroz e assim por diante e conforme acabava voltava para comprar, não havia dinheiro para encher dispensa. Acabou a comida, acabou o dinheiro nem para a compra de munição para ao menos matar um tatu, uma seriema, uma codorna ou perdiz que eram abundantes naquela região e liberados para caçar. Criei meus três filhos com carne de caça. Peixe muito pouco e mesmo assim tinha que andar muito para chegar na fazendo do Carlos Alberto na época jogador do Botafogo com o qual tinha amizade e lá pegava umas piabas.

Então o que nos restou foi comer alface, por nove dias consecutivos só tínhamos alface para comer, de manhã, meio dia e a noite. Os outros alunos ainda brincavam, cara até no café você come alface? Sentíamos aquele cheiro de bife acebolado na casa dos colegas ao lado e o estomago retorcia de dor. Muitos colegas de ministério e que estudavam naqueles dias conosco estão sabendo disto agora se estiverem lendo. Não. Nunca falamos pra ninguém naquele lugar.

Minha Fofa amamentava, mas não demorou muito para o leite secar, não tinha comida para produzir leite, nós não tínhamos dinheiro nem para comprar uma lata de leite para o nosso bebe de três meses de idade. A Fofa pegava a raiz da alface, lavava bem, fazia chá e colocava na mamadeira pra ele mamar, era o que tínhamos. Emprestar? Nunca, não tenho o hábito de emprestar coisas por mais que eu necessite. Quantos motivos para chutar o balde, quantos motivos para jogar a toalha e desistir de tudo aquilo, mas sabíamos que Deus estava nos preparando para enfrentarmos batalhas mais ardentes, como as atuais.