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“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” Hebreus 11:1

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MIOMA DISSE ADEUS


Algumas pessoas que não conhecem a realidade dos ribeirinhos da Amazônia me questionam o porquê eles preferem esperar a morte em casa a ir atrás de médico na cidade. Porque preferem ficar sofrendo em vez de buscar alívio?A verdade é que muitos morrem em suas comunidades ou dão seu último suspiro de vida na embarcação rumo à cidade.

Muitos ficam na base de chás de cascas, folhas, raízes e óleos das mais variadas plantas, eu mesmo sou um grande adepto das plantas medicinais e já tenho recomendado para muitas pessoas. Mas ficam nos chás porque um dia alguém foi curado do mesmo problema, outros vão atrás de feiticeiro ou atrás de puxadores e garrafadas e até de cigana. Enfim para ficarem livres da dor, dispostos a buscar soluções ali próximo de onde moram ou do outro lado do rio ou algumas horas de remo e assim é a vida da maioria deles. Alguns ainda sonham que apareça algum crente para orar.

(Me recordo que certa vez cheguei numa comunidade na margem esquerda do Rio Tapajós e o catequista católico daqueles bem roxo veio ao meu encontro e disse há dezoito anos espero por este momento, há dezoito anos que nenhum crente vem aqui, tenho uma filha que a dezoito anos está na cama com paralisia cerebral, eu disse a ele vamos lá resolver isto(Em outra oportunidade relatarei)

Motivos pelos quais os doentes buscam estas coisas porque faz parte da cultura, é tradição, algo que o bisavô usou e deu certo, algo que o avô costumava fazer e até viu seu próprio pai buscar e acreditar nestas crenças. Vamos criticá-los? Não. Vamos repreendê-los? Não. O ensino da Palavra de Deus e a convivência um dia mostrarão o que Deus pensa a respeito. Hoje há portas fechadas em algumas comunidades porque um dia alguém passou ali e disse: se você ir atrás de feiticeiro você vai pro inferno, se você fumar, você vai para o inferno. Se você beber cachaça, jogar bola ou ir ao baile, você vai para o inferno. Portas fechadas e pessoas destinadas ao inferno porque um infeliz foi lá e pregou mentiras.

Até conquistarmos novamente a confiança, não é fácil. Quando ouvem falar que o missionário Luiz Carlos ensina diferente, entram em contato conosco e lá vamos nós. Nossa pregação é da salvação gratuita e eterna, salvação não se perde, não preciso ficar fazendo coisas para manter a salvação, não necessita nenhum esforço humano. O que Jesus fez na cruz foi suficiente e 100% providenciada por Deus. Ao homem, basta crer. Não pregamos o outro evangelho.

E quando ensino que para ser crente, não precisa deixar de fumar, não precisa parar de beber, não precisa deixar de ir ao baile. Muitos tem se rendido aos pés do Senhor Jesus e barreiras quebradas e vidas transformadas. Quem irá convencê-los de que estão vivendo torto é o Espírito de Deus cuja missão é Dele e não minha.

Dificuldades que impedem as pessoas de ir até um médico na cidade. Maioria não tem emprego. A maioria vive diariamente da caça, da pesca e de suas roças e muitos nem possuem roças, pois seis meses os rios alagam tudo e seis meses ficam no seco tempo em que não é possível plantar a mandioca e colher para a produção de farinha antes das próximas chuvas. Alguns dependiam da Bolsa Família foi uma grande ajuda para muitas famílias, para quem não tinha nada, qualquer trocado trazia esperança, mas muitos perderam seus direitos. A locomoção da comunidade para a cidade é cara, além de ser muitas horas de viagem.

Vamos falar um pouco sobre a saga de um doente ribeirinho quando precisa vir em busca de médico. A passagem do barco é determinada pelas distancias a serem percorridas e preços variados, mas numa média de R$50,00 até Santarém. Imagine quem não tem de onde tirar, ou fazem seus empréstimos nestes lugares de “Agiotas legalizados” com juros exorbitantes ou padecem. Ao chegar à cidade precisa pagar uma condução geralmente Moto táxi, mas se o doente for mãe geralmente trás seus filhos menores, aí precisam de um Taxi. Primeiro passo é ir até um posto de Saúde, atrás da saúde pública, porque não tem R$400,00 para uma consulta particular e se tivesse mesmo assim médico nenhum resolve nada sem antes pedir uma lista de vinte exames, ultrassom, raio-X e outros, acrescente mais R$900,00, então à saúde pública é o único caminho.

Mas saúde pública aqui em Santarém funciona assim. Nunca somos atendidos no mesmo dia. Preenchem um cadastro e agendam uma consulta e a espera é de oito a quinze dias, conheço bem porque minha esposa e eu quando precisamos de médico seguimos este protocolo. A não ser que esteja entre a vida e a morte ai é encaminhada ao Hospital Municipal.

Quando chega a data e precisam vir para a cidade, são dias de antecedência, digo dias porque barcos tem dias determinados para vir; domingo e quarta, se a consulta é na sexta, chegam na quarta e aí precisam ficar aqui até terça da outra semana quando o barco viaja de volta, praticamente uma semana na cidade, gastando o que não tem. Mas quase sempre o doente vem e quando se dirige ao Posto de Saúde, a atendente diz: médico hoje não veio o médico hoje foi para a cidade tal, já vi pessoas fazerem três viagens, despesas altíssimas e não conseguiram resolver o problema.

Maioria deles não tem onde se hospedar, não tem dinheiro para comer. Mas precisa comer pelo menos uma refeição diária durante os dias de espera e se tiver com os filhos, mais complicado ainda. Ainda tem a passagem de volta. Muitos doentes ficam na comunidade e desistem de sair de lá devido a saga ser muito dolorosa. E muito complexa.

Já oramos a Deus pedindo um local com espaço para recebermos pelo menos nossos irmãos ribeirinhos doentes. A casa que moramos é alugada e só tem dois quartos pequenos e mesmo assim já chegamos a hospedar até doze ribeirinhos e castanheiros. Mas Deus ainda não decidiu nos dar.

Mesmo não tendo muito espaço, temos dado o apoio quando estamos na cidade. Buscando o doente no barco, levando até o Posto de Saúde, levando para exames, comprando medicamentos, dando alimentação, buscando resultado de exames, quando internados indo ao hospital visitá-los, orar com eles, acompanhamos o tratamento, vamos atrás do médico responsável. Mas são milhares deles, só na região de Santarém são oito mil comunidades ribeirinhas. Enfim o nosso ministério vai além de um escritório e uma caneta na mão. Orem por nós a respeito