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E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê. Marcos 9.23

PORQUE DEUS SE PREOCUPARIA COM ESTE HOMEM?

 

Meu amigo estava em companhia de outro castanheiro, em busca de castanhas do Pará e paravam num tapiri, (Barraco de palha) a 5 km distante da minha base missionária.


Certa tarde decidiu colocar uma armadilha para capturar uma caça, algo costumeiro entre os castanheiros e saiu na procura de uma vareda (caminho da caça) e a noite chegou e ele não retornou ao tapiri, o companheiro já ficou apreensivo e começou a gritar o chamando, mas não houve resposta.


Na manhã seguinte saiu a procura do companheiro, o qual não havia informado a direção que seguiria e depois de muito procurar e gritar, não o encontrou e não houve resposta, decidiu então empreitar uma longa caminhada em torno de 60 km onde encontrou outras pessoas e com um grupo maior retornaram para ampliar as buscas e até soltaram rojões na expectativa de que se ele estivesse perdido ouviria e voltaria, mas depois de um longo tempo de tentativas, nenhuma resposta retornou.


No final daquele dia acreditavam que uma onça o havia matado, ali onde vivemos há dezenas delas passeando e costumam ficar de tocaia sempre procurando algo e muitas delas já saborearam carne humana, e sentiram o delicioso sabor e a pouca resistência ao ataque.


O empenho então era para que ao menos fosse encontrado os restos mortais daquele homem, todos sabemos que a onça mata, come uma parte e esconde sob folhas o restante e depois retorna ao entardecer para consumir o restante, Começou então a procura de vestígios, sangue e etc.


Mas não houve sucesso naquele dia. Na manhã seguinte levantaram muito cedo para continuar as buscas, àquele desaparecido era muito querido por todos os castanheiros, finalmente alguém o encontrou, e ainda estava vivo mas em situação crítica.


Enquanto procurava um local para colocar a armadilha teve um AVC e ali caiu. Cabeça inchada, rosto roxo, mal respirava. Imediatamente o colocaram na rede e aí começou uma longa caminhada para sair da mata, em busca de salvar aquela vida preciosa.


Depois de muito caminharem carregando aquele homem na rede, infelizmente não estávamos na base para ajudá-lo, encontraram um motoqueiro que se ofereceu ir até a cidade cerca de 3 hs de viagem e lá fretar um carro para buscá-lo, precisava ser um motorista corajoso para entrar naquele ramal muito precário, para buscar aquele homem que há 3 dias estava debilitado sem nenhuma reação. Finalmente encontraram um que se ofereceu para ir buscar mas cobrando um valor altíssimo, o que importava para todos era a vida daquele homem.


No 4º dia após ter sofrido o AVC é encaminhado para o hospital, foi examinado e o médico apenas colocou um soro e não deu esperanças para os amigos e familiares e pediu imediatamente a transferência dele para a cidade de Santarém. Naquela noite foi colocado num navio e após 13 hs de viagem chegou na manhã seguinte em Santarém. Fui vê-lo no navio e vi que a situação dele era bastante complicada e eu não tinha como levá-lo em meu carro para o hospital, então ligamos para o SAMU que chegou e o transportou. Ele veio acompanhado de um irmão e ambos foram levados ao Hospital Municipal de Santarém.


Naquela tarde do 5º dia após ter sofrido o AVC, na hora de visitas fui até o hospital para ver como ele estava e qual foi a minha surpresa em ver e saber que do mesmo jeito que foi deixado lá pelo SAMU ainda permanecia, numa maca e nenhum remédio havia tomado e nem um copo de água deram para ele, estava completamente abandonado naquele canto do hospital.


Imediatamente procurei pelo médico de plantão e o questionei a respeito e ele perguntou: quem? Não sabia de nada, ele estava descansando, pulou do seu descanso correu atrás da chefa do setor e buscou informações daquele homem e quando o levei para ele ver aquele homem, semi-morto, cabeça inchada e rosto roxo e após 5 dias ainda sem cuidados médicos, disse: “Meu Deus este homem era pra ter sido levado direto para o Hospital Regional e não ter sido deixado aqui lá eles teriam feito exames e começado o tratamento, aqui ele vai morrer". De imediato pediu a transferência.


No 6º dia fui até o Hospital Regional e falei com o neurocirurgião sobre a situação do meu amigo, ele disse nada posso fazer, demoraram demais pra trazer ele aqui, a cabeça está muito inchada e a face roxa não adiantaria fazer uma tomografia pois seria difícil detectar o local exato do rompimento da artéria, temos que aguardar os próximos dias pra ver se a cabeça desincha pra tomarmos uma decisão de como proceder, isto se ele sobreviver.


Passados os cinco dias como não regrediu o inchaço o médico decidiu abrir a cabeça e tirou um pedaço do crânio para diminuir a pressão craniana e fez uma cirurgia e o mandou para a UTI e lá ficou 15 longos dias. Depois deste período ficou mais alguns dias no quarto hospitalar e finalmente o médico decidiu mandar para casa, não havia muito o que fazer. Fui buscá-lo e o trouxe para minha casa.


Era assustador olhar para ele, todo paralisado, cabeça enorme e rosto roxo, como pode um médico dar alta naquela situação? Mas antes de sair do Hospital fui pegar a receita com o médico e ouvir as recomendações, e ele acrescentou: “Ele não vai falar mais, não vai andar mais e vai carregar estas sequelas pelo resto da vida. Eu sabia disto, pois conheço muitos que foram vítimas de AVC, inclusive meu sogro que cuidei dele nos últimos três meses de vida, carregando, dando banho, levando ao banheiro, levando para passear e etc.


Mas antes de sair disse ao doutor: eu creio em um Deus que se Ele quiser pode sim curá-lo e tirá-lo desta cadeira de rodas, médico respondeu: “Eu conheço a ciência e a medicina e já acompanhei milhares de casos de AVC nunca vi e este dele é o pior de todos, pois demorou 11 dias para receber tratamento, quanto a Deus, porque ele se preocuparia com este homem?”


Recomendou que meu amigo retornasse para novos exames em 60 dias para ser feito uma nova avaliação. Meu amigo retornou, fui buscá-lo no navio e nos dirigimos ao Hospital e quando abri a porta da sala onde estava o médico o aguardando, o queixo caiu. Meu amigo entrou andando e falando. Pois é meus amados irmãos e amigos o médico pode conhecer a ciência, a medicina e ter muita sabedoria e viu que Deus é muito mais que tudo isto.


Este meu amigo até então já tinha rejeitado a Jesus muitas vezes, algumas vezes contei sobre Jesus para ele, eu não tenho o costume de ficar insistindo o evangelho para a mesma pessoa, outros também precisam ouvir, mas Deus tinha planos de salvá-lo e deu mais uma chance a qual ele não desperdiçou.


Que o Senhor continue nos ajudando a continuar indo mesmo diante das grandes dificuldades, muitos embrenhados nas matas, nos vales, nos montes precisam ouvir.


Porque Deus se preocuparia com você?